sábado, 11 de janeiro de 2014

Augusto Pinto

CURRÍCULUM ARTÍSTICO                                                  

DADOS PESSOAIS
Nome Oficial:  José Augusto Pinto
Nome Artístico: Augusto Pinto
Identidade: 606 263
CPF: 405880254-53
Título de Eleitor: 76239516/00               Zona:  34      Seção:  0070
Endereço: Rua : José lins de Oliveira nº 13 Bairro : 30 Setembro
CEP: 59626-370
Fone:  8705-4114
Contatos: Arruar@oi.com.br  /  abolir@hotmail.com 

ESCOLARIDADE
Ensino Médio Completo Auxiliar de Escritório Escola Estadual Jeronimo Rosado
Nível Superior completo – Curso de História / Universidade Estadual do Rio Grande do Norte
Cursando –Pós Graduação – Arte da Educação com Ênfase em Teatro / Faculdade do Vale do Jaguaribe

REFERENCIAS PROFISSIONAIS
Registro Profissional / Diretor de Teatro - DRT:1502 
Carteira Profissional:       12098 Série: 00002=RN
Atividade Profissional:  Ator e Diretor  teatral do Grupo Arruaça e Professor de Ensino da Arte 

Sobre Augusto Pinto
    Falar em teatro na cidade de Mossoró, nos últimos trinta anos é sem sombra de dúvida ir ao encontro com a presença irreverente do ator e diretor Augusto Pinto. Quer seja no teatro de Rua, palco, e nos grandes autos ou mesmo nos movimentos organizados em defesa da classe artística, vamos encontrar sua participação marcante. Menino de escola pública que iniciou sua trajetória, participando de dramas populares e, brincando com mamulengos nas calçadas e terreiros de chão batido. As adaptações e montagens dos espetáculos “A louca do jardim” e o “Rico Avarento”, são referencias dessa época. Na década de setenta (época do regime autoritário), participou ativamente dos ditos espetáculos politicamente engajados  atuando nas montagens “Poemas Hemorrágicos” e “Terra Para Quem Trabalha”, no extinto Grupo Terra. É neste período em que entrando para o movimento conhecido como federação Estadual de Teatro Amador inicia uma busca de formação teatral de forma mais efetiva, participando de oficinas com figuras ilustres do teatro brasileiro como: Moacyr de Góes, Fauzi Arap, Eduardo Vendramini, João das Neves e Amir Haddad. Na fundação do Cia Escarcéu de Teatro, teve sua atuação significante na direção de espetáculos, onde um dos mais marcantes foi a antológica montagem  da Arvore dos mamulengos que permaneceu dez anos em cartaz. No Grupo arruaça é um dos  fundadores e diretor artístico. Se destacando  no grupo e geografia cênica da cidade pela sua diversidade como ator, diretor, cenógrafo, aderecista, figurinista, articulador e produtor Cultural do grupo, nos palcos Mossoroenses, atuou nos espetáculos como Chuva de Balas , Oratório de Santa Luzia e Auto da Liberdade; sob a regência de nomes como: Fernando Bicudo, Gabriel Villela, João Marcelino, Amir Haddad, Marcelo Flecha, e Antônio Abujamra, no caso dos três últimos nomes chegou a dividir com outros diretores da cidade a  assistência de direção dos espetáculos. No Grupo Arruaça dirigiu os espetáculos “A Farsa da Boa Preguiça” texto de Ariano Suassuna, “A Luz da Lua” de Racine Santos, “As raposas” e o “Voo do cavalo do cão”, também de autoria de Racine Santos, e mais recentemente dirigiu o Frei Molambo da paraibana, Lourdes Ramalho. Em parceria do grupo Arruaça com a FUNDAC e  a Escola Conego Francisco Sales (CAIC), realizou importantes montagens do Navio Negreiro e os Caminhos  da Santa uma livre adaptação das crônicas de Dorian Jorge Freire. Atualmente realiza pesquisa para montagem de espetáculo  de rua tendo por foco as poesias do poeta Luiz de Oliveira Campos.
                                                           (Texto de  Carlindo Emanoel aluno do curso Arte da Educação com Ênfase  em Teatro)



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Luiz Campos: O mestre de uma geração de poetas (por Cripiniano Neto)

Falar de Luiz Campos é tratar de um dos mais autênticos repentistas-poetas do Nordeste brasileiro. Luiz Campos tinha tudo para dar errado na vida de cantador, pois além de não ter porte artístico, não tocava bem à viola e tinha uma voz que não animava ninguém a ir à sua cantoria para ouvir-lhe a “sonora”, como se diz no idioma particular dos cantadores. Luiz se impõe pela poesia, pelo repente, pela força titânica e demolidora da sua verve improvisadora capaz de redimir uma noite de cantoria “infeliz” com uma única sextilha genial. O grande mestre Diniz Vitorino trabalhava o conceito de cantadores-poetas que muitos colegas não gostam, por entenderem que todos aqueles que rimam e metrificam fazem poesia. Mas Diniz tinha razão, pois muitas vezes encontramos baiões de viola inteiros, perfeitamente rimados, metrificados e oracionados, mas sem uma única linha em que se possa sentir cheiro de poesia, de arrebatamento, de êxtase, de dizer poético, de poiesis, desse jeito único de dizer coisas, às vezes até as mesmas coisas que todo mundo já disse, mas de maneira tão diferente e tão especial que a sensibilidade brota de cada sílaba, fazendo a diferença e construindo a mágica da produção artística, esta magia que somente os inspirados são capazes de encontrar por entre os fluidos que residem nas veredas tortuosas dos labirintos interpostos entre o pensar e o dizer, ou, como diria o mestre Chico Buarque, “entre intenção e gesto”. A poesia de Luiz Campos tem um poder de síntese, de objetividade e clareza na construção da mensagem que só se pode encontrar num Hai Kai. Como n’A Morte de Luiz Macedo: “Partiu ele atrás da rês/ O touro, o cavalo e ele/ E a morte atrás deles três”. Tem, quando quer, a grandiloquência do Condoreirismo: “Quis morrer de amor, faltou coragem/ quis viver para amar, faltou razão”. É humor, é amor, é cantiga de amigo e de maldizer... Tenho encontrado versos de Luis Campos registrados em antologias de repentes, como se fossem lavra de grandes nomes, como do genial Pinto do Monteiro. Um exemplo é aquela que é uma das sextilhas mais brilhantes do mundo do improviso:
Cantar sem ganhar dinheiro
É viajar numa pista
Num carro velho quebrado
Um chofer curto da vista
E um doido gritando em cima
Atola o pé, motorista!
Garantiram-me também que esta sextilha seria de Domingos Tomás, que é um dos homens mais sérios da poesia nordestina. Fui à sua casa em Touros e tirei a dúvida. A genial estrofe é mesmo de Luiz Campos. Luiz não pode ser esquecido. Especialmente nestes tempos em que um cantador não profissional como eu, passou pela direção geral da Fundação José Augusto com status de secretário de Estado da Cultura,, ao Instituto Histórico e Geográfico do Estado, à Academia Brasileira de Literatura de Cordel e ao Conselho nacional de Políticas Culturais, em que Antonio Lisboa foi reconhecido como um dos maiores repentistas do Nordeste, Chico de Assis brilha no Planalto Central como poeta dos movimentos sociais e Antonio Francisco se projeta como o novo grande nome da poesia nordestina recitada. É preciso lembrar que Luiz Campos em 1977, ao lado de Aldivam Honorato, foi um dos fundadores da Casa do Cantador do Oeste Potiguar, entidade que serviu de ventre para a gestação da “Escola de Mossoró”, aquela em que a poesia popular foi posta a serviço das causas populares. Quando a viola sertaneja saiu em alto estilo da letargia da alienação, do marasmo da acomodação e da vergonha da subserviência pós-ditadura militar, para cantar a libertação do povo, a criação de um novo mundo possível. Antes da “Escola de Mossoró” com a cantoria social, os cantadores chegavam ao paradoxo de até censurar os próprios improvisos, reprimindo o irreprimível, ponderando o imponderável, podando o sonho, castrando o delírio. Nada de cantar “comunismo”, era preciso respeitar os fardões dos generais e louvar “porta, porteira e portão” da casa do fazendeiro. Luiz Campos nunca teve engajamento político-partidário nem ideológico, mas na sua consciência nata, na sua santa indignação contra o erro da iniquidade e o crime da opressão do homem pelo homem, foi quem começou cantar essas coisas de questionar o submundo dos pobres e a opressão dos ricos, como em Vítimas do Destino, Carta a Papai Noé, O Velho Deus da Fome e Sonhei, Acordei Frustrado. Patativa do Assaré cantou lá... e ele cá, dando vez aos sem voz e voz aos sem vez! Este Luiz Campos, de corpo inteiro; rindo ou sofrendo, mas sempre fazendo rir; sem nenhum engajamento político, mas fazendo todos se engajarem, sem estudos livrescos, mas chegando aos livros e fazendo ler, e refletir, e agir, merece mais que um livro. Mereceu nossa veneração e precisou do nosso apoio, quando se sentia só e doente, como na sextilha em que profetizou seus futuros/já chegados/agora passados “ais”:
Esta dor que estou sentindo
Esse mal, essa moleza
Esse tremido nas pernas
Essa cólica, essa fraqueza
Trinta por cento é doença
Mas os setenta é pobreza...
Luiz Campos morreu anteontem à noite. Foi sepultado ontem. O velório foi na casa onde nasceu e viveu 73 anos, no bairro lagoa do Mato, o mesmo de Antonio Francisco. Nasceu quando a lagoa ainda existia. Viu-a ser criminosamente sepultada pelos alicerces da especulação imobiliária que foi deixando os pobres, seus amigos, sem ter onde fincar um arremedo de lar, os que, como ele, se também fossem poeta poderiam dizer aquela estrofe que o grande Maciel Melo empurrou no meio de uma composição num dos seus mais belos CDs:
O que eu tenho é esta casa
Que eu herdei do meu pai
É a chuva vem não vem,
É a casa vai não vai;
Todo dia eu boto barro,
Toda noite o barro cai!
Luiz é Patrimônio Vivo da Cultura Popular Potiguar, pela Lei No. 9.032, de 27.11.2007, iniciativa do deputado estadual Fernando Mineiro. Esta lei garantiu dignidade a Luiz nos seus últimos anos de vida. A casinha que herdou do pai operário e mãe rezadeira, mais a rendinha desta lei advinda, somada à aposentadoria de salário-mínimo permitiu que não ficasse, como tantos mestres da cultura popular, mendigando um vidro de remédio, um prato de comida. Visitei-o frequentemente nos últimos três meses, sozinho, juntamente ou revezadamente com Tércio Pereira, Claudete, e os poetas Antonio Francisco, Silveira e Nildo da Pedra Branca. Em momento algum, Luiz precisou nos pedir um real sequer, por ter sua mixaria sempre à mão. Luiz morreu. Viva Luiz Campos... O mestre de todos nós!


Sexta-feira, 16 de agosto de 2013 01:43:37